terça-feira, 31 de outubro de 2017

Zombies espalham o terror em São Firmino

Foi uma madrugada de medo e histeria. Correu a notícia que dois mortos-vivos tinham saído do cemitério e o povo, em pânico, desatou a fugir. Mais tarde descobriu-se que, afinal, os zombies eram só o Rubem e o Fábio que tiveram um acidente de motorizada, foram projetados para dentro de uma campa e saíram de lá todos esfarrapados, desdentados e cheios de lama.

A Famell do Rubem ficou neste triste estado, depois do acidente. Vinham ao despique com uma bruxa e, como a vassoura dela era mais rápida, acionaram o nitro e despistaram-se. 


A freguesia de São Firmino acordou em polvorosa. Havia povo aos gritos, a fugir pela rua fora e a dizer que vinham aí os zombies. O alerta foi dado pelo coveiro que desatou aos berros a dizer “Aque de Rei, que os mortos-vivos vêm aí para nos comer a mioleira!”.

Gerou-se o caos junto à Igreja, onde muita gente esperava pelo início da missa das 7h00. Houve ataques de pânico, houve quedas de senhoras que não conseguiam correr por causa dos sapatinhos de domingo e houve ainda guarda-chuvadas em dois escuteiros que aproveitaram a confusão para apalpar os peitos às catequistas.

Mas houve quem não acreditasse na história, como é o caso do Veloso dos Cortinados: “Eu tinha ido tomar café e meio bagaço ao Snack-Bar Herculano quando me disseram 'Ò Veloso, tu põe-te à tabela, que andam aí dois zómbes à solta e já os viram a jogar futebol com a cabeça de um drógado'. E eu, por um acaso, estranhei porque a minha Camila passa as noites a ver aquele filme de zómbes que dá na parabólica e, que eu me lembre, nunca lá vi nenhum zómbe a jogar futebol. Se ainda fosse andebol, ainda vá que não vá, porque a pessoa pode agarrar nos cabelos e atirar a cabeça para a baliza. Agora futebol? Nãh...”.

E o Veloso tinha razões para desconfiar. É que, afinal, não se tratavam de zombies mas antes do Rubem e do Fábio, dois jovens sãofirminenses que são adeptos da velocidade e atividades radicais. Segundo nos contou uma testemunha, ambos estiveram a noite toda a mamar Gin Tónico na discoteca Eskadote e, quando voltavam para casa, ter-se-ão picado com uma bruxa que vinha numa vassoura topo de gama. Como não queriam que uma mulher lhes ganhasse, acionaram a botija de nitro que traziam na Famel e, ao fazer a curva do cemitério, despistaram-se.

Mas o Rubem tem uma versão muito diferente: “O que se passou foi que a gente foi para a náite, encontrámos lá a Sandrina do Almude e Meio e a moça cismou que havia de namorar com o Fábio. Ele chateou-se e disse-lhe 'Não falo mais par ti', mas ela ateimou e a gente teve que fugir. Só que ela veio atrás de nós com a Toyota Hiace do pai dela e, ao passar ao cemitério, bateu-me com o para-choques na roda de trás e a motorizada fugiu-me, estampei-me contra o muro e nós os dois fomos pelo ar e caímos dentro de uma campa aberta”.

Lá dentro, os dois jovens ficaram cobertos de lama, esfarrapados e, pior do que isso, com os dentes partidos porque bateram com a cara numa enxada que o coveiro deixou esquecida lá dentro. Quando conseguiram sair da cova, naquele triste estado, terão sido confundidos com zombies.

“A gente estávamos aflitos e pedimos socorro ao Sérgio Coveiro mas ele desatou a fugir e empurrou a mulher dele para cima de nós. Até disse 'Comei a minha Aurora que é cabeçuda e, por isso, tem mais miolos para esbichar'!”, contou o Fábio. Rapidamente a notícia correu pela aldeia, os sinos tocaram a rebate e, passado o pânico inicial, o povo juntou-se para enfrentar os alegados zombies.

“O meu Marco Adalberto foi à Internet ver como é que se matavam os zómbes e descobriu que era preciso cortar-lhes a cabeça. Vai daí, mandei-o ir a casa buscar a catana que o meu sogro trouxe da Guiné, agarrei nela, fiz mira e... zás. Mandei-lhe uma catanada! Só que o moço agaixou-se e só lhe cortei um carrapito de cabelo que ele tinha em cima”, explicou o Álvaro dos Contrapilas.

Por sorte, nessa altura começou a chover e foi aí que saiu a lama e o sarro dos zombies e percebeu-se que eram o Rubem e o Fábio, que ainda assim não se livraram de um tareão, por terem assustado o povo e entortado a enxada do coveiro com os queixos.

© Paulo Jorge Dias

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Incêndio destrói por completo a sex-shop de São Firmino

Era um dos ex-libris da nossa aldeia, mas ficou reduzido a cinzas. Um brinquedo erótico deixado a trabalhar durante várias horas entrou em sobreaquecimento e pegou fogo, destruindo por completo uma loja que atraía visitantes de todo o Vale de Vizela. Os 12 funcionários temem agora ficar no desemprego.

No combate às chamas, uma boneca insuflável rebentou e queimou os bigodes
ao bombeiro Zé Manel Fogareiro.


O incêndio foi combatido por 50 homens do corpo de Bombeiros de São Firmino, apoiados por um auto-tanque, uma auto-escada, o mata-velhos do comandante, dois carros de bois e uma roulote de cachorros, para dar de comer ao pessoal que se juntou para ver o fogo e dar o orçamento dos estragos.

Não se sabe ao certo o que terá estado na origem do incêndio, mas suspeita-se que um dos brinquedos sexuais vendidos na loja tenha entrado em sobreaquecimento, depois de ter sido deixado a trabalhar toda a noite, para fazer a rodagem.

“Ora bem, o fogo começou na oficina, que é onde a gente faz a reparação do material que o cliente vem devolver. E, por um acaso, ontem à noite a gente esteve aí a trabalhar num vibrador novo, em forma de salpicão, que vinha com potência a mais. Diz a dona que até abria rachadelas na parede e tudo”, disse Eugénio Piripiri, proprietário do estabelecimento.

A sex-shop Mouro & Grelo era um dos principais polos de atração da nossa freguesia, pois vinha gente de todo o Vale de Vizela para comprar os vários artigos eróticos que não se encontravam em mais lado nenhum. Os outros comerciantes temem que o fecho da loja lhes prejudique o negócio, como é o caso da Zirinha dos Diospiros, que tem uma frutaria mesmo em frente: “Sabe, a gente sempre ganhava algum. Muitas vezes o povo saía de lá da sex-shop desconsolado, porque já não havia o artigo que eles queriam e, olhe, levavam daqui uma bananita ou uma courgette para fazer o mesmo efeito”.

Em causa estão agora 12 postos de trabalho, mas o proprietário já disse que vai tentar arranjar uma solução: “Eu a bem dizer arranjo colocação para todos. O pior é o moço que a gente tinha lá a encher bonecas insufláveis. Não se arranja emprego com facilidade a uma pessoa que passa o dia a bufar... só se for para aqueles parques eólicos dar bufadelas para pôr as ventoinhas a trabalhar”.

O estabelecimento já tinha sido alvo de protestos por parte do Padre Ferreira, que acusou a sex-shop de ser um antro de pecado e chegou a ameaçar chegar lume à loja. Mas a hipótese de sabotagem está posta de parte. “À hora do incêndio, o Camilo Sacristão foi visto na zona a carregar um jerrican, mas disse que foi porque ficou sem gasóleo na motorizada e a gente acreditou porque ele não costuma mentir, tirando aquelas duas vezes em que foi apanhado a roubar vinho da missa”, explicou o comandante dos Bombeiros, Zeferino Ventura.

No combate às chamas, um bombeiro ficou ferido devido à explosão de uma boneca insuflável, que tinha sido enchida com hélio – um gás altamente inflamável – para flutuar como os balões. “Ò amigo, eu no meio daquela fumarada toda só vi um corpo de senhora todo despido e, claro, agarrei-me logo a ela a fazer respiração boca a boca. De repente, olhe, parus!!! Aquilo rebentou e eu fiquei todo queimadinho na cara e lá se foi o meu bigode, que tinha tanta estima nele”, contou o Zé Manel Fogareiro.

Transportado para o Posto Médico de São Firmino, o bombeiro foi assistido pela Dra. Zéza dos Brufénes, que procedeu a uma intervenção delicada, que durou várias horas e contou com a ajuda da Goretti Cabeleireira. “Ora bem, a gente para substituir o bigode, que ficou completamente queimado, foi necessário proceder a um implante de cabelos que fomos tirar ao sovaco do paciente”, explicou a diretora do Posto Médico.

O combate às chamas acabou por demorar mais tempo do que estava previsto, uma vez que o fogo alastrou à horta do vizinho Toni Chanaça, onde cultivava umas ervas que, segundo ele, “são para fazer um chá muito bom para a vesícula”. A nuvem de fumo daí resultante provocou um ataque de riso nos bombeiros, que passaram meia hora deitados no chão a contar as estrelas e depois voltaram para apagar o incêndio em tronco nu e ao som da música dos Xutos e Pontapés.

© Paulo Jorge Dias

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Madonna quer comprar casa em São Firmino

A estrela pop está de visita à nossa aldeia mas pouca gente deu por ela. Para passar despercebida anda na rua vestida com um traje do rancho e foi assim que pôde fazer compras na Boutique Çaozinha e ir arranjar o cabelo ao salão da Goretti. Também trouxe o filho que já treina à experiência no clube Levadas do Rio Vizela.

Depois de uma semana a enfardar massa à lavrador e rojões, a cantora saiu de São Firmino com uns quilinhos a mais.

Dizem que São Firmino está na moda e há muito que a nossa freguesia é escolhida como destino de férias de algumas estrelas de Hollywood, vedetas da música e craques de futebol. Ainda nem há 15 dias recebemos a ilustre visita daquele moço que fez de morto num episódio da série “Hawai: Força Especial”.

Mas apesar de ser tão bem frequentada, nunca a nossa aldeia tinha sido visitada por uma estrela mundial como a Madonna. A famosa cantora veio passar uns dias a São Firmino e ficou de tal maneira apaixonada pela nossa terra que decidiu comprar aqui uma casa.

“Eu mal a vi entrar aqui no escritório disse logo: 'Alto que lá vem mula! Assim ruça e com filhos negrinhos, ou muito me engano ou é mulher d'algum jogador da bola'. Cheirou-me a dinheiro e fui logo mostrar-lhe umas casinhas germinadas ali em Santo Adrião e ainda lhe tentei impingir o castelo, ali em Vizela. Mas ela ateimou que queria um palacete aqui em São Firmino e eu, olhe, mandei-a para o raio que a parta”, disse o Sérgio Licranço, sócio-gerente da imobiliária Prédio Devoluto.

Como não viu nenhum negócio que lhe interessasse, a famosa cantora aproveitou o resto do tempo para passear com os filhos e ir às compras. Mas, para ninguém a reconhecer, foi à Boutique Çaozinha e comprou um traje do rancho e assim andou de um lado para o outro à vontade, sem ter de tirar selfies nem dar autógrafos. Logo a seguir foi arranjar o cabelo.

“Ela entrou aqui como se fosse tudo dela e começou a dizer ‘pa pa pa’, sem a gente perceber nada. Olhe, disse-lhe 'Oh yes, òrrait, camóne', fiz-lhe uma mise igual à que faço às velhas do Mês de Maria e ela foi daqui toda regalada. Eu até achei que ela não batia bem do testo porque mal eu abri uma embalagem de laca novinha, a estrear, ela começou logo a cantar Laca Virgin”, contou a Goretti, dona do salão de cabeleireira aqui da nossa freguesia.

Segundo se consta, a Madonna ficou alojada na Residencial Percevejo, onde ocupou a Suíte VIP – que é como quem diz, o sótão – juntamente com os 3 filhos. Aliás, as crianças protagonizaram uma situação engraçada ao adotar como bicho de estimação uma cobra que andava à solta na residencial e toda a gente tinha medo dela. As meninas vieram com ela cá para fora e usaram-na para saltar à corda, que era o que elas costumavam fazer lá em África.

A cantora aproveitou ainda a sua visita a São Firmino para tentar arranjar colocação para o filho, que quer ser jogador da bola. Uma vez que a nossa equipa Levadas do Rio Vizela é muito famosa na América – desde aquela vez em que aproveitaram as filmagens dos nossos jogos para fazer um vídeo de rir no Youtube – a Madonna pediu para o seu mais velho vir treinar à experiência.

“Olhe, eu pr'um acaso até me parece que o mocito tem os pés trocados, porque não dá duas para a caixa. Mas lá aceitei em ficar com ele porque tem bom corpo para trabalhar e pode dar jeito a chapar massa nas obras que a gente vai começar agora nos balneários do estádio”, explicou o treinador, Serafim Largato.

Ao que parece a diva da pop terminou as férias na segunda-feira, altura em foi vista a entrar cheia de malas para a camioneta da Landim, mas antes deu um jantar de despedida para as individualidades da terra. Foi no Snack-Bar Herculano e comeram pica no chão vegetariano que é, basicamente, um pica no chão igual aos outros só que leva duas folhinhas de salsa por cima do arroz.

© Paulo Jorge Dias

sexta-feira, 10 de março de 2017

Camião do circo tombou na rotunda e os animais andam à solta

São Firmino tornou-se numa espécie de Jardim Zoológico a céu aberto. Dezenas de animais selvagens passeiam-se pela aldeia, depois de um acidente com o camião do circo. Jiboia entrou pela canalização e agora anda a sair pelas sanitas, tigre tentou assaltar o talho e levou um tareão do Américo e a zebra foi atropelada depois de ser confundida com uma passadeira.

O dono do circo Pereirini diz que o chimpanzé está habituado a conduzir carros e camiões, mas despistou-se porque naquele dia se enervou ao ver um gato na estrada.

Tudo aconteceu na quarta-feira, dia em que estava prevista a chegada a São Firmino do Circo Pereirini, cuja visita era há muito aguardada pelos homens da aldeia, depois da inesquecível atuação do ano passado, quando a trapezista Senhorinha falhou um salto e aterrou de pernas abertas na cara do presidente da Junta. Mas tudo ficou adiado devido ao trágico acidente de viação.

Olhe, isto foi um azar. O Patrício, que é o nosso condutor do trailer, parou na beira da estrada para ir comprar umas nêsperas e uns pêssegos carecas ali em Lustosa. Mas, como a mulher da fruta o enganou no troco, voltou para trás a reclamar e, quando deu por ela, já o camião ia estrada fora”, explicou Zequinha Pereira, dono do circo e domador de lontras.

Inicialmente, ainda se constou que tinha sido o gangue do Quitó a levar a viatura para ir vender o elefante ao matadouro, mas depois percebeu-se que, afinal, foi um chimpanzé que – não se sabe muito bem como – abriu a porta da jaula e saltou para o volante do camião que trazia os animais do circo.

Ò senhor, o problema não foi o chimpanzé Chiquinho ir a guiar o camião, porque o bicho já fez muito quilómetro e nunca houve nenhum azar. O Patrício disse-me a mim que muitas vezes lhe dava o sono a meio da viagem e passava o guiador para as mãos do Chiquinho. Ele era capaz de ir direitinho daqui até ao Algarve e se fosse preciso até metia gasóleo sem acordar o chófer. O problema foi mas é o raio do gato”, disse o Zequinha.

Isto porque o chimpanzé, ao chegar à rotunda dos capotanços – situada à entrada de São Firmino – avistou um gato no meio da estrada e guinou o volante, para ver se lhe acertava, uma manobra que terá aprendido com o motorista Patrício. Perdeu o controlo do camião que galgou a rotunda e tombou para o lado, abrindo a porta e deixando fugir mais de 20 animais.

Ai Jasus, que aquilo era a fim do mundo... só bichos e mais bichos! Mais parecia que a BBC Vida Selvagem tinha fugido pela televisão fora. Eu estava na esplanada do Herculano e, nisto, aparece uma foca e rouba-me o fino com Martini. Foi aí que se me subiram os nervos à cabeça, agarrei num camelo que vinha a passar e espetei-lhe dois morros no focinho. Só depois é que dei conta que era o meu afilhado que é um mamão de primeira mas, coitado, não tem culpa de ter cara de camelo”, disse o Bino da Tia Ção.

Os animais lançaram o pânico na aldeia, provocando estragos e inúmeros acidentes de viação, tendo o primeiro envolvida a zebra. Foi atropelada por um bêbado numa fraguneta, que a confundiu com uma passadeira e, como ninguém em São Firmino para nas passadeiras, acelerou e mandou-a para o posto médico, onde foi atendida por um pintor das obras que passou três quartos de hora a retocar-lhe as riscas.

Pouco depois foi a vez do tigre fazer estragos, tentando roubar meia vitela, como explica o dono do Talho Américo: “Eu estava no frigorífico a dar um jeito nas febras da Sónia Badalhoca e sai-me o bicho de dentes arreganhados, já com a vitela agarrada às unhas e digo-lhe eu assim 'Tu não me arregales os olhos'. Ele bufou-me e... parus! Dei-lhe com quilo e meio de entremeada na boca que ele ficou para ali esticadinho no meio do chão, que mais parecia um tapete de arraiolos”.

Mais sorte teve a jiboia Lili, que conseguiu abrir uma tampa de saneamento e refugiar-se na rede de esgotos, onde permanece até hoje. Já foi vista a sair de dentro de várias sanitas o que levou dezenas de sãofirminenses a deixarem de ir à casa de banho, com medo de levarem uma ferradela nas bochechas de baixo. Em vez disso vão fazer as necessidades nas hortas, o que faz adivinhar um ano de muito boa colheita agrícola.

© Paulo Jorge Dias

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Taxistas de São Firmino protestam contra transporte ilegal

Os taxistas da nossa freguesia acusam de concorrência desleal um serviço de transporte às cavalitas, que funciona através da Internet e permite às pessoas chamaram um carregador que, por metade do preço, as leva às costas até ao seu destino. O caso já levou a agressões, tendo os taxistas enfiado a cabeça de um carregador na sanita e dado a descarga.

Cada viagem às cavalitas pode custar 1 euro por quilómetro e o passageiro
pode levar as sacas de compras penduradas na boca nos moços.



O serviço é recente mas já é um sucesso na aldeia de São Firmino. Onde quer que a pessoa esteja, basta pegar no telemóvel e chamar pela Internet um carregador, que em poucos minutos vai ao seu encontro e carrega a pessoa às costas até ao seu destino.

Olhe, senhor, a mim dá-me um jeito muito grande porque eu ò sábado vou à feira, a Vizela, e se vou estar à espera da camineta é um atraso de vida porque eu, quando lá chego, as feirantes já só me querem impingir nabiças murchas e diospiros tão relados que nem os porcos os querem. Ò pr'a cá, costumava vir no táxi do Fredo, só que ele é um aldrabão, porque pôs um fundo falso na mala do carro e rouba-me metade das compras”, contou a Ernesta do Cabral, cliente assídua do transporte às cavalitas.

Além da rapidez, os clientes dizem que é mais barato principalmente porque não cobram taxas extra pela carga que o passageiro leva. Os carregadores transportam as pessoas às costas e, pelo mesmo preço, trazem as sacas equilibradas na cabeça ou presas aos dentes. “E até temos um moço que tem umas orelhas de abano que dão muito jeito porque o passageiro pode lá pendurar as cestas das compras”, explica o Paulinho de Paçô Vieira, criador deste serviço.

O negócio agrada a quase toda a gente, menos aos taxistas que perdem clientes e se queixam de concorrência desleal. “Quer-se dizer, eles não pagam gasóile, nem pneus, nem têm que deixar uma nota de 20 no cinzeiro do carro, sempre que levam o carro à inspeção. Assim até eu fazia mais barato! E o pior é que eles enganam as pessoas, porque não me venham dizer a mim que andar num carro de praça é tão confortável como ir às costas de um marreco qualquer. Às cavalitas tem de apanhar com fedor a suor do moço, enquanto no meu táxi não cheira a nada disso... só a bicho morto, porque tenho um gato entalado na solfage e ainda não tive vagar para ir lá raspá-lo”, disse o taxista Emílio Barbas.

O empresário do transporte às cavalitas nega as acusações, afirmando que o seu serviço tem custos acrescidos: “É mentira que a gente não tenha despesas! Fiquem sabendo que tenho de mudar as solas dos sapatos de 5 em 5 mil quilómetros e, certas noites, não me chegam 30 euros em Reumon-Gel para as dores nas costas. Sim que isto de carregar com as moças às costas não é brincadeira. No outro dia fui levar a Zeza a um jantar, em Felgueiras, e ò outro dia tive de ir ao endireita, que eu mal me conseguia mexer”.

O Paulinho de Paçô Vieira acusa ainda os taxistas de agredirem os seus funcionários, sendo que o caso mais grave ocorreu na semana passada, quando foram chamados para ir buscar um velhote ao Snack-Bar Herculano. “Fizeram uma espera ao meu empregado, deram-lhe uma carga de lenha e, no fim, agarraram nele, enfiaram-lhe a cabeça na sanita e deram a descarga. A sorte é que o carregador tinha o cabelo à escovinha e, como conseguiu limpar o sarro da retrete, o Herculano ficou tão contente que, de recompensa, deu-lhe 20 euros e já ganhou a tarde”, explicou o Paulinho.


© Paulo Jorge Dias

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Ano letivo começa com obras na escola

Escola de São Firmino vai ser inaugurada na véspera das eleições mas, até lá, os alunos têm aulas no meio das betoneiras. No primeiro dia, a professora levou com um tijolo na cabeça e teve de ser um trolha a ensinar os alunos.

Afonso Gonçalo, do 1.º ano, foi o vencedor do concurso de desenho sobre o regresso às aulas

É a confusão total na EB 1 de São Firmino. As obras atrasaram-se e, por causa disso, os alunos têm aulas no meio de um autêntico estaleiro.
“É um perigo! Logo no primeiro dia de escola a professora levou com um tijolo na cabeça e quem acabou de dar a aula foi o Tino Trolha. O meu Márcio chegou a casa a dizer que aprendeu a abrir garrafas de Super-Bock com os dentes. Se era para lhe ensinar coisas dessas, ao menos que fosse a abrir garrafões de vinho, que o meu marido não bebe cerveja”, disse ao nosso jornal a Mónica da tinturaria.
Mas as queixas não ficam por aqui. Alguns pais estão revoltados porque a Junta deixou de servir o lanche da manhã às crianças e, por isso, o pessoal das obras decidiu ajudar e leva-os ao café, comer Bolicaos e beber finos com Martini.
“E não é só isso. Os moços têm aulas sem condições nenhumas: em vez das mesas estão a trabalhar em cima de tábuas – ainda no outro dia ligaram uma serra, sem querer, e cortaram um caderno a meio –, se for preciso afiar um lápis têm de pedir uma rebarbadeira ao mestre de obras e, pior ainda, os trolhas estão sempre a pedir-lhes emprestados os Magalhães para falarem com as moças no Facebook”, contou o Natário das alcatifas.

Além disso, os pais queixam-se dos trabalhos de casa, principalmente os exercícios de matemática, como este que tiveram de resolver na semana passada: “A obra de reabilitação da escola foi adjudicada por 250 mil euros, mas o custo real dos trabalhos vai ser de 120 mil. Quanto dinheiro vai ser metido ao bolso pelo construtor e pelo presidente da Junta?”.
Mas o pior é mesmo a língua portuguesa. Como o pessoal das obras está sempre a cantar alto, os alunos não ouvem as professoras e, quando é para fazer ditados, passam a aula a escrever as letras das músicas do Quim Barreiros.


© Paulo Jorge Dias 

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Comissão de Festas diz que foi burlada

As tão aguardadas Festas de São Firmino começam este fim-de-semana mas a edição deste ano fica marcada pela polémica. A organização garante que contratou uma fadista muito famosa, mas em vez dela apareceu uma rapariga muito baixinha a dizer que era a Anã Moura.


Organização anunciou a vinda dos U2 e dos Rolling Stones, mas o Bono desistiu porque apanhou uma intoxicação alimentar no Herculano e o Mick Jagger já teve um caso com a Sónia Badalhoca.


Olímpio Varela, presidente da Comissão de Festas de São Firmino, tinha prometido uma semana inesquecível, cheia de artistas internacionais. Mas correu-lhe tudo mal.

Ò pá, tivemos um azar do caraco! Primeiro, eram para vir os U2, mas o Bono ligou a dizer que da última vez que aqui esteve almoçou no Snack-Bar Herculano e o pica no chão devia ter gogo, porque o desgraçado passou uma semana com diarreia. Depois, combinei tudo com os Rolling Stones mas o Mick Jagger lembrou-se que tinha um problema com uma moça daqui de São Firmino. Diz que conheceu a Sónia Badalhoca numa discoteca em Paços de Ferreira e a rapariga cismou que ele lhe fez uma filha”, disse o Olímpio.

Mas os azares não ficaram por aqui. Após intensas negociações, a Comissão de Festas assegurou a presença do famoso cantor Tony Carreira mas quando foram a imprimir os cartazes é que se aperceberam que, afinal, o nome do artista era Tony Sub-Carreira e perceberam que se tratava de um cantor vizelense que vive precisamente no lugar de Sub-Carreira.

Até que, há cerca de um mês, o Olímpio conseguiu finalmente garantir uma artista de renome internacional, para subir ao palco nestas Festas de São Firmino: “Eu vinha todo contente, convencido que ia trazer cá a Ana Moura, mas depois, quando a fui esperar à paragem das camionetas, apanhei uma desilusão que você não queira saber”.

Em vez de aparecer a famosa fadista, surgiu uma cantora muito baixinha, conhecida no mundo artístico como Anã Moura. “Ò senhores, a rapariga é tão pequenina que o pessoal para a conseguir ver em palco tem de levar uns binóculos”, disse o Olímpio.

Ao que parece, quando assinou o contrato, a organização não se apercebeu que o nome da artista era Anã, em vez de Ana. “Eu realmente vi aquela coisa ~ em cima do 'a', mas pensei que fosse para aí um cisco ou um mosquito esmagado”, lembrou o presidente da Comissão de Festas, que admite processar a artista por burla.

Recorde-se que Olímpio Varela é um conhecido empresário do ramo automóvel, que há dois anos foi candidato à presidência do maior clube de São Firmino, o Levadas do Rio Vizela. Na altura, Olímpio chegou a anunciar que, se fosse eleito, iria contratar Ronaldo e Messi e que já teria um pré-acordo com eles, mas depois acabaram por desistir.

Olhe, que culpa tenho eu se a estrada é ruim? O Ronaldo vinha para cá assinar o contrato, mas trouxe um Ferrari tão grande que ficou entalado quando ia a passar ali na Ponte Nova. Já o Messi, não veio porque ele é tão pequenino que não havia camisolas para o tamanho dele. Se ao menos a gente tivesse escalões de formação, ainda se arranjava um equipamento que lhe servisse na equipa dos infantis ou benjamins”, explicou o Olímpio.

© Paulo Jorge Dias

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Moça de São Firmino apanhada a sair do hotel da seleção

Soraia do Tio Zé foi fotografada pelos paparazzi no hotel onde está a seleção nacional. O caso deu grande escândalo em toda a freguesia e foi mesmo tema de sermão do padre, na missa de domingo, o que levou os pais a dizerem que a moça está noiva de um craque e vão casar agora em agosto. O problema é que ela já não se lembra de quem era o jogador.


Na véspera de ir para França, a Soraia foi ao salão da Goretti Cabeleireira pôr-se toda bonita

A jovem saiu de São Firmino há dois meses e disse aos pais que ia para França trabalhar como criada de servir. Desde aí, a família nunca mais soube dela até esta semana, quando apareceram na Internet fotografias dela a sair de um quarto, no hotel onde está a seleção.

Ela ò princípio inda começou a dizer que trabalhava no hotel e estava a fazer limpezas, mas eu fui criada em muitos sítios e em lado nenhum vi uma mulher de limpezas a trabalhar de salto alto, minissaia curtinha e um top que lhe deixa mais peito fora do que dentro”, contou a Adelaide do Barrimau, tia da Soraia.

A emigrante de 20 anos veio depois dizer que tinha ido ao hotel visitar o namorado, que é jogador da seleção, mas os jornais e revistas franceses revelam que a Soraia passou a noite a saltitar de um quarto para o outro, suspeitando-se que, ao todo, tendo visitado os 23 jogadores.

Ah, sabe como é. Eu sou nova aqui na França e, como não sei a língua deles, às vezes engano-me. Lá no hotel os números dos quartos estavam todos em francês e eu, olhe, ia entrando e saindo dos quartos para ver se encontrava o do meu namoro. Claro que eu depois entrava, os jogadores metiam conversa, eu pedia-lhes um autógrafo e, como não tinha papel à mão, mandava-os autografarem-me o decote ou as nalgas”, disse a Sónia ao conceituado jornal gaulês Bienvenue à Saint Fermain.

Sabe-se agora que esta visita terá sido feita nas vésperas do jogo com o País de Gales, o que pode explicar o bom desempenho de muitos dos melhores jogadores da seleção. O incidente causou grande incómodo junto da equipa técnica mas, pior do que isso, deu origem a um escândalo de todo o tamanho na nossa freguesia.

Pr'os jeitos até o sô padre ficou a saber e, claro, não gostou daquela pouca vergonha e foi para o sermão da missa dizer mal da a rapariga. E com razão: com tanto moço jeitoso a jogar futebol cá na terra, foi preciso ela ir para tão longe para andar enrolada com eles só porque jogam melhor do que nós? Não s'admite”, disse o Bino da Tia Ção, capitão de equipa do Levadas de São Firmino, num momento em que punha gelo no cotovelo.

Entretanto, para acalmar os ânimos a família já fez saber que a Soraia está a namorar para um jogador da seleção e que até vão casar quando vierem de férias a Portugal, agora em agosto. O único problema é que a jovem não sabe ao certo o nome do craque.

Ò senhor, eu cá não percebo muito de futebol, mas a minha Soraia diz que pode ser qualquer um, até mesmo o Ronaldo. Quer dizer, eu tenho dúvidas porque ela mandou uma fotografia e o rapaz é assim meio pr'ó escurinho, do género do Éder. Mas como eu li nas revistas que o Ronaldo esteve de férias, olhe, pode ser que tenha ficado ficou moreno”, contou a Zezinha, mãe da Soraia. 

A jovem confirma que não se lembra do nome do craque, mas suspeita que seja o capitão da seleção: “Eu mal entrei no quarto ele arrancou-me a roupa toda, atirou-me para a cama e, quando se mandou para cima de mim... prás! Acertou na mesinha de cabeceira. Por isso, é natural que seja o Ronaldo, porque ele fez mais ou menos a mesma coisa quando marcou o penálti com a Áustria”, disse a Soraia.

© Paulo Jorge Dias


quinta-feira, 16 de junho de 2016

Procissão entrou por engano na autoestrada

Sacristão alcoolizado confundiu o caminho e meteu pelo acesso da autoestrada. Mordomo da festa diz que teve prejuízo porque foi obrigado a pagar euro e meio de portagem por cada pessoa e ainda por cima foi multado pela brigada porque a parte de trás da procissão tinha de levar velas vermelhas.


Nos últimos quilómetros o andor foi transportado num trator
porque os fiéis começaram todos a queixar-se das hérnias.

A procissão em honra de Santa Vanessa ficou, este ano, marcada por um incidente que só por milagre não teve consequências graves. Por causa das obras que decorrem na Avenida Dom Zeca da Verruga, a procissão teve de seguir um percurso alternativo, acabando por entrar na autoestrada, por engano.

A culpa, diz o padre Ferreira, é do sacristão: “Eu avisei-o! Disse «Ò Camilo, tu leva mas é o GPS porque a rua principal está em obras e como a gente vai por caminhos velhos tu perdes-te, como daquela vez que em fomos parar à buáte». Só que ele teimou que sabia o caminho e como naquele dia ele me roubou mais vinho da missa do que é costume, olhe, ficou meio ourado e não dizia coisa com coisa”.

A procissão entrou no acesso à autoestrada e, quando as pessoas deram por ela, já era tarde e não podiam voltar para trás, porque naquela zona é proibido fazer inversão de sentido de marcha. Foram obrigados a entrar pela portagem, o que implicou um prejuízo grande nas contas da festa deste ano.

“Você nem me diga nada! Euro e meio por cada pessoa, pelas minhas contas iam mais de 50, veja lá quanto é que eu tive de pagar!? E depois os fregueses queixam-se que eu só vendo frango com gogo e que o coelho sabe a gato. Eu tenho de ir arranjar dinheiro a algum lado”, explicou o Américo do Talho, que este ano é o mordomo da festa de Santa Vanessa.

Mais sorte acabou por ter o andor, que não precisou de tirar ticket, uma vez que o Padre Ferreira tinha o identificador da Via Verde no bolso e meteu-o nos pés da santinha. Mas as peripécias não ficaram por aqui. Para complicar ainda mais as coisas, durante a viagem a procissão foi intercetada pela Brigada de Trânsito, que detetou várias irregularidades. 

“Ui, eles queriam multar tudo e mais alguma coisa: era porque a gente não tinha matrícula, era por não termos seguro, nem inspeção obrigatória... Tive de perder o amor a uma nota de 20 euros e mesmo assim ainda nos passaram uma multa porque as pessoas que iam atrás deviam usar velas vermelhas e não amarelas, que era para ser uma luz igual à dos carros”, lamentou-se o Américo.

Já perto do final, registou-se um novo incidente. A Toninha do Olival distraiu-se, encostou a vela à senhora que ia à frente dela e, sem querer, pegou-lhe fogo ao cabelo. 

“Olhe, o povo tinha que vir a andar bem, porque íamos na autoestrada e aquilo é para ir ligeirinho. De repente, aparece a tabuleta a dizer 'Vizela' e a gente tivemos todos que travar porque não estávamos a contar com a saída assim tão cedo. Ora, eu como vinha com uns chinelos de dedo já muito gastos por baixo, não consegui travar, derrapei e fui bater na Bina do Outeiro”, disse a Toninha.

Ao que parece, a Bina tinha acabado de sair do cabeleireiro, onde fez uma permanente, e como trazia o cabelo cheio de laca – um material altamente inflamável – bastou encostar a vela para começar tudo a arder. Valeu a rápida intervenção do Neca Bombeiro, que não tendo mais nada à mão, agarrou no balde de água benta e deitou-o pela cabeça abaixo.

Recorde-se que a Santa Vanessa não é reconhecida oficialmente, mas tem muitos seguidores em São Firmino. Vanessa era uma doutora da Segurança Social que, alegadamente, terá curado Tino e Berto, dois irmãos que ficaram entrevados depois de uma noite de copos na Adega do Pintassilgo. O milagre aconteceu no dia em que os dois irmãos foram à Junta Médica: mal a Santa Vanessa lhes passou os papéis para a reforma, o Tino e o Berto levantaram-se da cadeira de rodas, começaram a andar e só pararam no Snack-Bar Herculano.

© Paulo Jorge Dias

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Alunos da primária levaram canas de pesca para o SeaLife

Quando souberam onde era o passeio da escola, os pais, em vez de prepararem o farnel, ensinaram os filhos a pescar e mandaram-nos trazer comida para o jantar. Nessa noite, em São Firmino, houve que comesse caldeirada de tubarão e sopa de nabiças com tartaruga.

Zefinha do Almeirão diz que foi o pai quem ensinou o filho a pescar no aquário de casa.

Na última sexta-feira, os funcionários do conhecido aquário do Porto não ganharam para o susto. Os alunos daNa última sexta-feira, os funcionários do conhecido aquário do Porto não ganharam para o susto. Os alunos da escola primária de São Firmino foram lá fazer o passeio da escola e entraram todos equipados com canas, carretos e cestos de pesca.

Durante as duas horas da visita, as crianças sãofirminenses pescaram várias espécies e, no final, grelharam-nas num fogareiro improvisado, no Castelo do Queijo. Ao que tudo indica, a culpa será dos pais que, este ano, optaram por não preparar o tradicional farnel.

“Olhe uma coisa, a nós as professoras disseram que o passeio era a um sítio onde havia muito peixe, na zona do Porto. Ora, a gente pensou que fosse para aí a lota de Matosinhos. Para que é que havíamos de fritar rissóis e panados se a canalha é só deitar a cana de pesca e sai logo uma tainha”, disse a Susaninha do Almeirão, mãe de um dos alunos.

Outras mães mostraram-se orgulhosas com o jeito dos filhos para a pesca. Foi o caso da Zefinha do Pomar: “Ai, que categoria que aquilo é. Nessa noite jantámos uma sopinha de coive-nabiça com tartaruga que foi de comer e chorar por mais. Já não gostei tanto da caldeirada de tubarão porque o bicho ficou mal passado e ainda deu uma ferradela no braço do meu hóme”.

As professoras admitem que estranharam quando viram as crianças a entrar para a camioneta sem as habituais mochilas e geleiras. Em vez disso, levaram canas de pesca e latinhas de minhocas. A direção da escola admite agora abrir processos disciplinares.

O motorista de autocarro, Tony das Carreiras, saiu entretanto em defesa dos alunos: “Esteja calado que se não fossem eles nós a esta hora ainda estávamos lá no Porto. À vinda embora a camioneta não queria pegar e os moços foram lá dentro, trouxeram duas enguias elétricas, ligaram-nas à bateria e o motor pegou que foi uma maravilha”.

Há também o caso de um pai que nega as acusações que recaem sobre o seu filho: “É mentira. O meu Rodrigo Mickael não levou cana de pesca nenhuma… levou mas foi um camaroeiro que eu pedi-lhe para me trazer uns chocos. Assim fazemos o chamado dois em um: traz o jantar e aproveitamos a tinta dos chocos para carregar a impressora que anda há dois meses sem tinteiro”.

Este não é o primeiro incidente em estabelecimentos deste género, que envolve pessoas de São Firmino. Em Agosto do ano passado, a família do Tozé da Churrasqueira foi apanhada pelos seguranças do Zoomarine, no Algarve, a tentar meter um golfinho na mala do carro, com o objetivo de o assarem na brasa e comerem com arroz malandrinho.

© Paulo Jorge Dias